Segunda-feira, 22 de Setembro de 2025 - 15h58

Especialista diz que mulheres não estão no topo da carreira nas IES

Alexandre Nicolini divulgou no dia 22/09 o primeiro comentário sobre os dados do Censo da Educação Superior 2024 divulgados pelo INEP

O pesquisador e especialista em gestão acadêmica e avaliação da aprendizagem, Alexandre Nicolini, afirmou que os dados do Censo da Educação Superior 2024 divulgados nesta segunda-feira (22) pelo INEP, “se contrapõem a estudos recentes, que mostram que as mulheres representam 55,6% dos títulos de doutorado concedidos em 2024, uma tendência que já é observada no país há vinte anos”. Segundo Nicolini, “aparentemente essa maioria ainda não se reflete no topo da carreira científica, que ainda é majoritariamente ocupada por homens, principalmente em áreas como ciências exatas e engenharias”. 

Avaliando o perfil dos docentes das instituições de ensino superior brasileiras divulgado pelo INEP, Nicolini destacou que “os resultados revelam que professores do sexo masculino são mais comuns em IES públicas, onde predominam doutores em regime de tempo integral. Já nas privadas, docentes do sexo feminino são mais frequentes, com predominância de mestres em regime de tempo parcial”.  

Alexandre Nicolini analisou também o perfil dos alunos: “Os dados mostram que o sexo feminino predomina tanto na modalidade de ensino presencial quanto a distância. O turno noturno é o mais procurado nos cursos presenciais e o bacharelado é o grau acadêmico com maior número de estudantes matriculados em ambas. Chama a atenção neste Censo a quase equiparação dos estudantes nas duas modalidades: os alunos entram com 19 anos no ensino superior, e o concluinte sai com 23 anos no presencial e apenas um ano a mais na EAD”. 

Comentando os dados sobre o total de instituições de ensino superior no Brasil em 2024, que registram 2.561 IES, que oferecem 45.772 cursos de graduação, sendo 87,6% delas privadas, Nicolini ressaltou o fato de que a maioria das universidades é pública (56,3%), enquanto as IES privadas são predominantemente faculdades (77,8%): “Apesar de serem apenas 8,0% do total de IES, as universidades concentram 53,0% das matrículas de graduação. Em contrapartida, as faculdades, que correspondem a 74,1% das IES, abrigam somente 11,0% dos estudantes e quase um terço delas oferece até dois cursos. Ou seja, a grande maioria das instituições brasileiras ainda tem presença local e é vulnerável economicamente a aquisições no futuro, desde que ainda sejam financeiramente viáveis”, afirmou o pesquisador e especialista.
 

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