Segunda-feira, 01 de Junho de 2026 - 13h01

Lúcia Teixeira defende ampliação da inclusão digital no Brasil

Presidente do Semesp falará hoje (1), no Fórum de Lisboa, sobre os desafios da educação na sociedade da informação.

A presidente do Semesp Lúcia Teixeira participa, nesta segunda-feira (1), às 15h30 (hora local), do Fórum de Lisboa, em Portugal, representando o Semesp em um debate do evento sobre o atual movimento de transformação tecnológica no ensino superior.

Ela falará no painel “Educação na sociedade da informação: desafios da transformação demográfica e tecnológica”, e durante sua apresentação vai destacar que “o desafio não é apenas tecnológico, é humano, social e ético, pois o processo acelerado de digitalização, com a chegada da Inteligência Artificial (IA) generativa, traz vários impactos, desde a necessidade de ampliação da inclusão digital, até as exigências de atualização curricular e o cuidado com a saúde mental da comunidade acadêmica”.

A presidente do Semesp vai lembrar que “o acesso à internet da população brasileira ainda é desigual, com exclusão social, e mesmo os que fazem uso regular das redes sociais enfrentam dificuldades, devido à baixa escolaridade,  para utilizar as ferramentas de produtividade, ou até para filtrar notícias falsas”. Segundo Lúcia Teixeira, “há um evidente analfabetismo funcional, já que a habilidade limitada de leitura e escrita para interpretação e cálculo atinge 29% da população entre 15 e 64 anos”.

A presidente do Semesp destacará, em sua participação no painel do Fórum de Lisboa, as soluções que estão sendo adotadas para acelerar o processo de maturidade digital no ambiente universitário “Com apoio do Semesp, pesquisas da MetaRed TIC Brasil, rede focada no desenvolvimento e na transformação digital das instituições de ensino superior públicas e privadas, que também  tenho a honra de presidir, mostraram que as instituições de ensino superior brasileiras têm se posicionado favoravelmente, mas precisam se adaptar buscando soluções para exigências tecnológicas e estratégicas da era digital – e sabemos a importância de que governos façam sua parte e criem políticas de transição”, afirmará a dirigente.

Para Lúcia Teixeira, “a transformação demográfica, com rápido envelhecimento da população brasileira e queda das taxas de natalidade, traz mudanças do público estudantil tradicional, mais jovem, que está encolhendo. Ao mesmo tempo, para não serem excluídos do mercado tecnológico, adultos e idosos voltam a estudar, criando uma convivência intergeracional: atualmente, cinco gerações convivem nas universidades e professores mais velhos, considerados imigrantes digitais, ensinam alunos nativos digitais, o que exige muita empatia e mediação”, ela ressalta.

A presidente do Semesp considera que “o ingresso do público mais jovem permanece como desafio, seja pela necessidade de políticas públicas mais eficazes, seja pelas dinâmicas próprias de organização e expansão do setor, já que apenas 20,8% dos jovens de 18 a 24 anos ingressam no ensino superior. Há urgência de políticas de ingresso e de permanência, pois a evasão nos cursos presenciais foi de 26,6% na rede particular e 21,4% na rede pública, enquanto somente na EAD 41% dos alunos deixaram a graduação antes de concluir o curso”.

Lúcia Teixeira também ressaltará que “a ampliação das matrículas, impulsionada por políticas como o SiSU, ProUni e FIES, além da expansão da Educação a Distância (EaD), esbarra no abismo educacional brasileiro. A defasagem na qualidade do ensino público da Educação Básica gera desvantagens estruturais para os estudantes que devem recuperar sua trajetória dentro da universidade e ser incentivados a prosseguir, educar e requalificar”.

A presidente do Semesp defenderá, também, que o país deve investir mais em bolsas para alunos carentes utilizando a infraestrutura de universidades particulares de qualidade. “A relevância econômica e social da participação do setor privado no ensino superior brasileiro torna-se ainda mais evidente quando se observa sua dimensão. As instituições privadas são responsáveis por aproximadamente 8,16 milhões de matrículas de graduação no país. Considerando-se a diferença entre o custo anual por estudante na rede pública e o custo médio anual praticado pela rede privada, estima-se que a capacidade instalada e os investimentos realizados pelo setor privado gerem uma economia potencial para o Estado brasileiro de R$ 239,76 bilhões por ano, valor equivalente a cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro”, segundo a dirigente.

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